sábado, junho 23, 2012

Medo de ajudar


Pedalando pelas ruas da cidade, alguém mexe comigo, me chama, olho para o lado, uma senhora, com uma saia longa e com uma bolsa. Me chamando para ir até ela.
Psiu! Oi rapaz! Vem cá!

Olhei meio espantado, e logo pensei, o que ela quer? Eu vou ou não? Falo que não dá, estou com pressa?... Será que é uma cigana e quer ler a minha mão? Será que ela está esperando alguém para ser vitima de alguma armadilha? Será que ela é uma dessas mulheres que faz feitiçaria? Talvez meus pensamentos estão a julgando mal. Vou lá ver o que ela quer.

Oi, pode falar.
Você pode me ajudar? É que eu vim do bairro Segismundo Pereira e trouxe esses dois sacos pesados, e você pode me ajudar a levar até a minha casa? Meu filho disse que me buscava aqui no ponto de ônibus, mas agora falou que não vai dar.

Tudo bem, eu ajudo. Peguei o dois sacos, um estava leve, outro realmente estava pesado. Coloquei o saco mais pesado no cano da bicicleta e o outro fui carregando no outro braço, mas eu estava achando muito estranho. Nunca aconteceu isso comigo, de ter medo em ajudar, mas fiquei pensando o tempo todo, será que é alguma pegadinha? É algo armado para me assaltar? Será que essa mulher faz algum tipo de maldade? Pra onde ela está me levando, será realmente pra casa dela? Será que nesses sacos tem arroz e feijão como ela disse?

Fomos andando e conversando. E eu, meio cismado, não sei porque, mas nunca ajudei alguém e me desconfiando, não me entendi, acho que são as coisas que acontecem no mundo e estou ficando paranóico. Chegando na casa dela, ela disse, pode vir. Achei melhor esperar, enquanto eu deixei a bicicleta no tripé, por um segundo a senhora sumiu num lugar escuro, foi chegando devagar para ver onde ela tinha entrado, quando vi ela tentando abrir a porta. Cada vez fui ficando mais cismado ainda com aquele lugar bem escuro, pensei, vou deixar esses sacos aqui e me mandar, mas ela pediu para que eu levasse mais pra perto. Nessa hora eu pedi a proteção de São Miguel Arcanjo numa rapidíssima oração pelo pensamento. E Segui em frente com mais coragem, porque tive medo de ser vitima de algo armado.

Não consigo colocar a chave na fechadura, você coloca pra mim?
Peguei o chaveiro da mão dela e consegui encaixar, vi que debaixo da porta estava a luminosidade e ouvi o som ligado. Logo perguntei se tinha gente lá dentro, ela disse que não, e que tinha esquecido o som ligado.
Encaixei a chave na fechadura e deixei ela abrir a porta, e ela entrou, e eu pensei, agora eu casco fora de vez, preocupado com minha bicicleta lá de fora. Ela me pediu para que eu colocasse os sacos dentro da sua casa. Eu fiz isso rapinho e sai da casa, já despedindo dela.
Ela disse sorridente; Muito obrigada! Muito obrigada mesmo, graças a Deus você me ajudou! Tão novo e tão caridoso!
Muito obrigado, como é o nome da senhora? Anita (peguei na mão dela). Tudo bem dona Anita, fica com Deus. Vai com Deus também meu filho, e muito obrigado mesmo.
De nada, tchau!
Sai dali e montei na bicicleta e fui embora.

Eu nunca fiquei com medo, a palavra certa é essa, medo. Dessa vez, não sei porque, mas fiquei com medo de ajudar.

Fato real


Vlad Salomão.

Um comentário:

  1. Anônimo14:07:00

    Fala meu amigo vlademir...preciso falar contigo irmão...(047)9924-9580 da um tok que eu te retorno, Grande abraço. Eder - Itajaí - SC

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